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A Cooperativa Cultural Popular Barreirense, fundada em 24 de Maio de 1913, tem como objecto da sua actividade, o ramo da Cultura, promovendo acções culturais e aquisição de bens e serviços, de acordo com as necessidades e aspirações culturais, económicas e sociais dos seus membros e da comunidade barreirense.
FILIPE CHINITA - OPINIÂO versão para impressão enviar por e-mail

LIÇÕES DE MESTRE

Voltei à Cooperativa Cultural Popular Barreirense na noite de 05 de Dezembro de 2009, curioso por saber o que é isto “gente povo todo o dia”.

É, povo alentejano, gente revolucionária, ainda hoje, neste dia (noite).

É, um livro.


É um livro que é um poema.

é

um poema

vivido.

“. hoje

abri-me

novos

mundos

pequenos

é

facto

mas

novos”.

Abri-me a um novo mundo alentejano.

Já sabia como os alentejanos se “agarram à terra”, do entusiasmo que põem ao escrevê-la (mistura de saudade e de presença), como a cantam nos seus versos, como dizem a sua poesia (obrigado, Manuel Alpalhão, obrigado. Disseste tão bem).

Abri-me a um Alentejo revolucionário. Novo mundo para mim porque o ouvi de alentejanos que sentiram, viram, viveram a revolução (a nossa).

“.viver

é

estar

aqui ”

…as mãos, …os lábios… os olhos…

 “presente

 ausente

neste tempo

de construir

outro

empo “

Como se vive uma revolução, dizendo-a em palavras simples, palavras de todos.

Filipe Chinita, um Mestre a escrevê-las, explicando o como, o onde, o quando, o porquê.

Manuel Gusmão (mestre catedrático), interpretando-as, teorizando-as, inscrevendo-as em correntes de pensamento, dando-lhes a força, o valor, o sentido (obrigado, Professor, obrigado).

Palavras suas, oiçam-nas:

“Como é visível desde a dedicatória, invulgarmente longa, este livro é densamente povoado. E logo desde o título do seu primeiro poema (ou movimento) – “As nossas palavras” –, diz-se o carácter colectivo do seu material verbal, dos espaços e ambientes a que somos convocados, das acções em que somos chamados a participar.

… é alguém muito jovem que nos diz como ia crescendo, e de como esse seu crescimento, individual e moral, se ia fazendo intensamente com o crescimento de um povo para os seus possíveis.

Este é daqueles livros que nos põe insistentemente perguntas.

O que leva alguém à poesia?

Qual a necessidade da poesia para alguém tão intensamente empenhado em viver? “

A poesia é (da) revolução.

“É por demais amar a revolução que a canta (mos), e por amá-la demais que não pode (mos) cantar da sede com que a bebe (mos). Ou mais simplesmente sentimos que a revolução não nos deixa tempo para a poesia que a canta e sentimos que roubamos à revolução o tempo que lhe dedicamos em poesia.

Será que entre a revolução e a poesia pode haver uma qualquer afinidade, estranha e oculta, na qual habita uma contradição que só dizendo-se se resolve? “

Contradição não, mas dizendo a revolução cumpre-se.

Este livro “gente povo todo o dia” foi escrito há 30 anos (obrigado Filipe por no-lo dares hoje).

Queremos que a Revolução se cumpra.

Estas são Lições de Mestre, e não as sinto (muitos as podem sentir) como um absurdo. São gritos, “é a dureza desta luta”. É a minha voz que se une à do colectivo que vencerá.

Eu gosto de poesia (poesia, só) e sei que a CCPB está disposta a abraçá-la.

Quantas sessões de poesia já se fizeram. Quantos poetas já disseram poesia na Cooperativa.

Dia 19 de Dezembro de 2009 lá estarei para o lançamento do sítio “Poetas do Barreiro”.

Obrigado à Cooperativa, mas obrigado ainda à Rosalina Carmona pelas suas palavras, por vezes com a voz embargada por sentimentos ocultos, mas sentidos, vividos, de onde sobressai uma luta intensa, revolucionária.

Obrigada à Vereadora (da poesia) Regina Janeiro.

As sua palavras incitam a fazer melhor e mais frequentemente.

Ficámos a conhecê-la mais um pouco (o que é bom) da sua meninice e da sua revolução, da revolução que ainda hoje pratica, também com mestria.

Tudo isto é Lições de Mestre.                             

Nuno Soares 

Nota: encontram-se ainda livros para venda na CCPB.


                                    


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Apresentação da obra gente povo todo o dia da autoria de Filipe Chinita.

Trata-se de um livro de poesia, escrito entre 1977 e 1978 que nos apresenta num longo e único poema, uma visão pessoal, vivida e participada do quotidiano exaltante dos primeiros anos da Revolução.

«Este livro tem uma génese longa de 30 anos. Escrito no essencial, numa primeira versão, em 1978, ele era então a expressão de alguém que, nessa que é e não é a mais bela idade da nossa vida, se encontrara activa e militantemente, com a luta do seu povo, no Alentejo da Reforma Agrária e, ao mesmo tempo, se apaixonara.»

Manuel Gusmão

Pósfácio

A sessão decorre na nossa Sede, Rua Miguel Bombarda, 64 C, sábado dia 5 de Dezembro, às 21h00, com entrada livre.

Apresentação por Manuel Gusmão, professor catedrático, ensaísta, crítico, poeta e tradutor de poesia.

Leitura de poemas por Manuel Alpalhão.



 
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