É um livro que é um poema.
é
um poema
vivido.
“. hoje
abri-me
novos
mundos
pequenos
é
facto
mas
novos”.
Abri-me a um novo mundo alentejano.
Já sabia como os alentejanos se “agarram à terra”, do entusiasmo que põem ao escrevê-la (mistura de saudade e de presença), como a cantam nos seus versos, como dizem a sua poesia (obrigado, Manuel Alpalhão, obrigado. Disseste tão bem).
Abri-me a um Alentejo revolucionário. Novo mundo para mim porque o ouvi de alentejanos que sentiram, viram, viveram a revolução (a nossa).
“.viver
é
estar
aqui ”
…as mãos, …os lábios… os olhos…
“presente
ausente
neste tempo
de construir
outro
empo “
Como se vive uma revolução, dizendo-a em palavras simples, palavras de todos.
Filipe Chinita, um Mestre a escrevê-las, explicando o como, o onde, o quando, o porquê.
Manuel Gusmão (mestre catedrático), interpretando-as, teorizando-as, inscrevendo-as em correntes de pensamento, dando-lhes a força, o valor, o sentido (obrigado, Professor, obrigado).
Palavras suas, oiçam-nas:
“Como é visível desde a dedicatória, invulgarmente longa, este livro é densamente povoado. E logo desde o título do seu primeiro poema (ou movimento) – “As nossas palavras” –, diz-se o carácter colectivo do seu material verbal, dos espaços e ambientes a que somos convocados, das acções em que somos chamados a participar.
… é alguém muito jovem que nos diz como ia crescendo, e de como esse seu crescimento, individual e moral, se ia fazendo intensamente com o crescimento de um povo para os seus possíveis.
Este é daqueles livros que nos põe insistentemente perguntas.
O que leva alguém à poesia?
Qual a necessidade da poesia para alguém tão intensamente empenhado em viver? “
A poesia é (da) revolução.
“É por demais amar a revolução que a canta (mos), e por amá-la demais que não pode (mos) cantar da sede com que a bebe (mos). Ou mais simplesmente sentimos que a revolução não nos deixa tempo para a poesia que a canta e sentimos que roubamos à revolução o tempo que lhe dedicamos em poesia.
Será que entre a revolução e a poesia pode haver uma qualquer afinidade, estranha e oculta, na qual habita uma contradição que só dizendo-se se resolve? “
Contradição não, mas dizendo a revolução cumpre-se.
Este livro “gente povo todo o dia” foi escrito há 30 anos (obrigado Filipe por no-lo dares hoje).
Queremos que a Revolução se cumpra.
Estas são Lições de Mestre, e não as sinto (muitos as podem sentir) como um absurdo. São gritos, “é a dureza desta luta”. É a minha voz que se une à do colectivo que vencerá.
Eu gosto de poesia (poesia, só) e sei que a CCPB está disposta a abraçá-la.
Quantas sessões de poesia já se fizeram. Quantos poetas já disseram poesia na Cooperativa.
Dia 19 de Dezembro de 2009 lá estarei para o lançamento do sítio “Poetas do Barreiro”.
Obrigado à Cooperativa, mas obrigado ainda à Rosalina Carmona pelas suas palavras, por vezes com a voz embargada por sentimentos ocultos, mas sentidos, vividos, de onde sobressai uma luta intensa, revolucionária.
Obrigada à Vereadora (da poesia) Regina Janeiro.
As sua palavras incitam a fazer melhor e mais frequentemente.
Ficámos a conhecê-la mais um pouco (o que é bom) da sua meninice e da sua revolução, da revolução que ainda hoje pratica, também com mestria.
Tudo isto é Lições de Mestre.
Nuno Soares
Nota: encontram-se ainda livros para venda na CCPB.
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Apresentação da obra gente povo todo o dia da autoria de Filipe Chinita.
Trata-se de um livro de poesia, escrito entre 1977 e 1978 que nos apresenta num longo e único poema, uma visão pessoal, vivida e participada do quotidiano exaltante dos primeiros anos da Revolução.
«Este livro tem uma génese longa de 30 anos. Escrito no essencial, numa primeira versão, em 1978, ele era então a expressão de alguém que, nessa que é e não é a mais bela idade da nossa vida, se encontrara activa e militantemente, com a luta do seu povo, no Alentejo da Reforma Agrária e, ao mesmo tempo, se apaixonara.»
Manuel Gusmão
Pósfácio
A sessão decorre na nossa Sede, Rua Miguel Bombarda, 64 C, sábado dia 5 de Dezembro, às 21h00, com entrada livre.
Apresentação por Manuel Gusmão, professor catedrático, ensaísta, crítico, poeta e tradutor de poesia.
Leitura de poemas por Manuel Alpalhão.