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Historial
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Página 1 de 2 Breve apontamento do historial da Cooperativa Cultural Popular Barreirense, No dia 24 de Maio de 1913, dez operários dos Caminhos de Ferro compareceram perante o notário para celebrar a escritura pública de constituição da Cooperativa Popular Barreirense, que tinha por finalidade “fornecer aos sócios géneros de primeira qualidade, peso exacto e preço módico, facilitando economias e sua capitalização”.
Na origem da fundação desta Cooperativa esteve presente o descontentamento destes ferroviários e de outros pelos preços praticados pela Cooperativa dos Caminhos de Ferro e, também, pretenderem melhorar o fabrico e comercialização de pão. Decerto, que também pesou o tempo em que se vivia: o princípio da República. Um período de redobrada iniciativa popular, tendo sido criadas muitas associações de cultura e recreio, sem esquecer as cooperativas. Fundada sem grandes recursos financeiros, a “Cooperativa Popular”, como começou a ser conhecida, apenas funcionava à noite, sendo os serviços assegurados pelos próprios sócios, que, após o seu trabalho, ali aplicavam as suas horas de descanso, procurando que a Cooperativa cumprisse os objectivos para que fora criada. Em 1916 a Cooperativa tinha o seguinte horário: “Dias de semana: Abre às 19 horas e fecha quando o serviço o permita. Domingos: Que a porta seja aberta às 9 horas e 30 minutos, que feche às 13 horas e 30 minutos e que torne a abrir às 16 horas, fechando às 22. O serviço é assegurado por um caixeiro e 2 directores.” Na Cooperativa, houve sempre grande preocupação em melhorar as instalações, procurando-se sedes mais funcionais e que permitissem a prestação de melhores serviços aos cooperadores. A primeira sede foi na Rua Marquês de Pombal, junto da Travessa do Leão. Uma casa pequena para o efeito , mas que tinha um forno de cozer pão, o que, na altura, era considerado indispensável ao funcionamento da Cooperativa. Pouco tempo depois, houve uma mudança para a Travessa da Graça e, mais tarde, para a Rua José Relvas, onde ficou até 1934, ano em que a sede se transferiu para a Rua Miguel Bombarda, números 4 e 6. Em 1938, a Cooperativa Popular Barreirense conseguiu uma sede própria, ajustada à sua actividade, com a compra à Sociedade Industrial do Bonfim, de um prédio, por 60 contos, situado na Rua Miguel Bombarda, n.º 64 e 66, que era constituído por rés-do-chão, 1º andar, quintal e dependências. É neste prédio que a Cooperativa fixa definitivamente a sua sede, ganha estabilidade orgânica e inicia a sua expansão pelo concelho do Barreiro, vivendo as quatro décadas seguintes em plena laboração e resistindo até aos dias de hoje. Desde o início da Cooperativa que as sucessivas Direcções ambicionaram construir uma sede, que permitisse um maior desenvolvimento. Com esse objectivo, em 1914, foi comprado um terreno, na Rua Eusébio Leão e, em 1935, foi adquirido outro, junto da antiga Travessa das Cordoarias. Mas num e noutro caso, não foi possível construir a ambicionada sede. A Cooperativa nunca teve uma vida muito desafogada em termos financeiros, não obstante a grande dedicação dos seus dirigentes e de muitos dos associados. Em muitas ocasiões, eram os próprios directores e alguns associados que emprestavam dinheiro para pagamento aos fornecedores, salvaguardando, assim, o bom nome da Popular Barreirense. A Cooperativa também explorou o fabrico e venda de pão, tendo possuído padaria por duas vezes – de 1913 a 1916 e de 1941 a 1956. Aliás, a padaria foi uma das razões que levou à criação da Cooperativa Popular Barreirense. Entre os produtos alimentares comercializados pela Cooperativa, o pão foi o que maiores preocupações deu aos directores durante as primeiras décadas, quer no fabrico, quer na venda. Com a agravante de muitas vezes ser vendido a crédito a associados desempregados , cujas famílias tinham o pão como principal ou mesmo único alimento. Nestas situações, sempre difíceis, a solidariedade cooperativista era uma realidade, embora trouxesse algumas dificuldades a quem tinha a responsabilidade de gerir. A Cooperativa Popular Barreirense e outras Cooperativas da margem sul do Tejo constituíram, em 23 de Fevereiro de 1965, uma cooperativa de produção de pão, pastelaria e confeitaria, com a denominação de SULCOOP . Esta Cooperativa representou um avanço extraordinário do Cooperativismo no Distrito de Setúbal, pois tratou-se de um grupo de cooperativas de consumo que associaram-se entre si e constituíram uma cooperativa de produção. Foi um bom trabalho associativo e foram, também, muitas esperanças depositadas neste projecto cooperativo. Depois de alguns entusiásticos anos, começaram a acumular-se dificuldades inultrapassáveis. Até que, em 1978, a SULCOOP foi forçada a pôr fim à sua laboração. A década de 60 foi um período em que aumentou o número de cooperadores , tendo como resultado um aumento de vendas, o que levou à criação de duas lojas. Uma, em 1964, na Quinta da Lomba, onde já existiam cerca de 100 associados, que faziam as suas compras na sede, outra em Junho de 1967, em Santo António da Charneca. Nesta altura, verificaram-se profundas transformações na área comercial da sede, passando a haver um auto-serviço. Os dirigentes pensavam, ainda, na hipótese de abrir outra loja na Rua Aguiar, junto da Igreja da Nossa Senhora do Rosário, o que não veio a acontecer. Durante o período salazarista, a Cooperativa esteve sempre sob uma vigilância apertada da Polícia Política e também da GNR. A reuniões da Assembleia Geral eram comunicadas à GNR, que se encarregava de vigiar para saber quem entrava e quem saía. Em 1966, numa reunião da Assembleia Geral, houve uma discussão mais acalorada, que chegou ao conhecimento da GNR. E esta logo se apressou a chamar os Presidentes da Mesa da Assembleia Geral e da Direcção para prestarem declarações sobre o que tinha acontecido.. Em 24 de Novembro de 1971 é publicado no Diário do Governo o Dec. Lei n.º 520/71, através do qual o Governo declarava que as cooperativas que exerciam actividade económica apenas o podiam fazer em exclusividade, ficando-lhes vedada qualquer outra actividade. A intenção era acabar com as realizações culturais que era já uma componente importante. A par dos problemas inerentes à actividade comercial, os dirigentes da Cooperativa Popular Barreirense nunca descuraram a vertente cultural. A Biblioteca da Cooperativa mereceu especial atenção. E, quando foram criadas as filiais em Santo António da Charneca e Quinta da Lomba, logo se dotaram esses espaços com estantes de livros, que eram cedidos, por empréstimo, aos associados. A Biblioteca da Cooperativa recebeu, por diversas vezes, as visitas da PIDE. Por este facto, havia redobrados cuidados com os livros expostos. Algumas vezes, livros mais “perigosos”, como os romances de Jorge Amado ou “A Vida Sexual” de Egas Moniz, foram escondidos em caixotes de sabão e levados para uma arrecadação da filial de Santo António. A UNICOOP – União Abastecedora das Cooperativas , criada em 1955, viria a transformar-se na União das Cooperativas de Consumo, à qual a Popular Barreirense aderiu em 1961. Com esta adesão abriram-se novas perspectivas ao movimento cooperativo, sobretudo no que se encontrava ligado ao consumo. Na segunda metade da década de 60, a Coop Popular teve uma boa situação financeira, proveniente do aumento de consumidores e por ter estendido a sua actividade à Quinta da Lomba e a Santo António. Esta situação favorável não impediu que se estabelecesse contactos com a congénere barreirense (Sociedade Cooperativa Operária Barreirense), no sentido de efectivar uma fusão entre as duas cooperativas. A ideia da Popular não teve aceitação, pelo que cada uma continuou o seu caminho isoladamente. Mas a questão da fusão não morreu por aqui, pois entendiam os dirigentes desse tempo que, sem se concretizar um movimento cooperativo forte e com poder na vida económica, nunca as pequenas cooperativas de consumo poderiam subsistir. É neste sentido que a Cooperativa Popular inicia diligências para a fusão com a Unicoop. Por fim, chegou-se a um acordo no sentido de haver uma integração comercial ou ainda a possibilidade de uma integração total, mas ficando os sócios da Cooperativa Popular com o controlo da mesma, de modo que quaisquer decisões a tomar para alteração das estruturas existentes, desde que implicassem com o património da Cooperativa, só pudessem ser tomadas de acordo com a Assembleia Geral. A Unicoop ainda fez a gestão comercial da Cooperativa, mas não por muito tempo, visto que também entrou em dificuldades. Entretanto, chegou o 25 de Abril, e muitos dos dirigentes partiram para outras tarefas, como as autarquias, sindicatos, partidos, o que tornou mais difícil a administração da Cooperativa. A situação começava a agravar-se . As receitas não cobriam as despesas. A abertura diária do estabelecimento da Cooperativa era um agravar da situação. Várias Assembleias Gerais se realizaram sem que se chegasse a uma decisão. O encerramento era o único caminho, mas ninguém o queria seguir. Até que na Assembleia Geral realizada em 30 de Maio de 1978, foi aprovado, por unanimidade, o encerramento do auto-serviço no dia seguinte. O dia 1 de Junho de 1978 foi, porventura, o dia mais triste da “Popular Barreirense”. Em Setembro, é decidido alugar o edifício da sede ao Tribunal do Trabalho, ficando a Cooperativa com as restantes instalações e o quintal. A renda da casa permitiu o pagamento de todas as dívidas, quer aos trabalhadores, quer aos fornecedores. De 1978 a 2000 o edifico esteve alugado . Durante este período, a Cooperativa caiu no esquecimento, excepto para aqueles que se mantiveram e que, em situações críticas, como a de acções no tribunal movidas pelos fornecedores, recorreram às suas magras economias para resolver momentos aflitivos. Finalmente, com a saída do Tribunal do Trabalho, recuperou-se o prédio e a Cooperativa reanimou-se. Foi mudado o ramo de referência cooperativa. De consumo passou a cultural. No dia 25 de Janeiro de 2001, foi publicado no Diário da República um estatuto remodelado. Nesta data, começou um novo tempo, com a mesma história ,a mesma bandeira, o mesmo nome, agora com o acrescento de “Cultural”. 
A velha casa, que serviu a Cooperativa durante 64 anos, foi demolida para dar lugar à construção de um prédio, onde continuará instalada a sede da “Popular Barreirense”.
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