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LIÇÕES DE MESTRE Tive a felicidade de assistir, melhor, de participar, num acontecimento cultural que assinalou no Barreiro o centenário do nascimento de Eugène Ionesco, dramaturgo romeno, homem “revoltado” ou apenas à procura do “homem novo” (?!). Talvez isto hoje nos pareça um absurdo, mas ele, Ionesco foi de facto um homem do absurdo, do Teatro do Absurdo. Porquê, então?
O Dr. Jorge Cardoso, conhecedor profundo das coisas do teatro, ajudou-nos a compreender (se o absurdo se compreende). O enquadramento que fez da época, a guerra, o sofrimento, a morte (I e II Grande Guerra), as novas correntes de pensamento então em voga (o existencialismo, por exemplo), a procura de novos rumos para o homem (a Revolução de 1917), no íntimo, no fundo, a “procura do homem novo”, explica em parte o absurdo, o Teatro do Absurdo. Porque são momentos únicos, por isso imperdíveis (mesmo com chuva), não vou esquecer. Também não me vou esquecer da participação do grupo de actores da ARTEVIVA – Companhia de Teatro do Barreiro, que nos deliciou com um pequeno “skecth”, momento importante para nos “marcar” melhor o absurdo. O repentismo, o barulho do abrir das portas, os gritos, o desacerto das palavras, a fixação na personagem, o porquê daquilo, o marchar para o final… e o ficar (À espera de Godot). Parabéns meninos. Como se não bastasse, o encenador Mário Rui Filipe, brindou-nos com a vida de Ionesco. A terra onde nasceu, os estudos, a ida para Paris, as suas ideias, o homem que era, o que nos deixou escrito, completou o conhecimento do Teatro do Absurdo. Uma outra lição do Rui Filipe, por isso obrigado. Não se pode ter tudo na vida, dizem, mas há coisas, momentos, que não se podem perder. Este momento de cultura que passei na Cooperativa Cultural Popular Barreirense, na noite de 26 de Novembro de 2009, marcou-me como futuro amante, estudioso, frequentador mais atento e assíduo do teatro. Não vou perder, de certeza, “A Lição do Mestre” de Eugéne Ionesco, peça do Teatro do Absurdo, que a ARTEVIVA – Companhia de Teatro do Barreiro está levando à cena no Teatro Municipal. Aconselho que vejam a ARTEVIVA. Nuno Soares ************************************************************************** A mestria com que o fez arrebatou toda a plateia (não éramos muitos, infelizmente), que o ouviu atentamente durante toda a “lição”, e que no fim demonstrou o seu entusiasmo com um forte aplauso. No dia 26 de Novembro, quinta feira, pelas 21h30, vai ter lugar na nossa sede a evocação do 1º centenário de Eugène IONESCO, com apresentação de Jorge Cardoso e Mário Rui Filipe da Companhia de Teatro do Barreiro – ARTEVIVA e intervenções da mesma Companhia.
Eugène IONESCO, nasceu em Slatina, Roménia em 26 de Novembro de 1909, filho de pai romeno e mãe francesa, faleceu em Paris em 28 de Março de 1994. Passou a maior parte da infância na França, mas no princípio da adolescência regressou à Roménia onde se formou como professor de francês. Regressou à França em 1938 para concluir a sua tese de doutoramento. Apanhado pela eclosão da guerra, em1939, Ionesco permaneceu em França, acabando por revelar-se um escritor de talento. Estreou em Paris, em 1950, com A Cantora Careca. Trata-se de uma comédia num acto classificada pelo seu autor de anticomédia e que se caracteriza pelo seu surrealismo verbal, foi uma das principais peças do chamado "teatro do absurdo”. A sua comicidade, baseada mais no absurdo do que no significado, é uma constante do teatro de Ionesco. Ionesco, no panorama do teatro do século xx, situa-se próximo de Beckett, como intérprete do mal-estar, das dúvidas e do desespero do homem contemporâneo. Foi eleito membro da Académie Francaise em 1970. “Sendo o cómico o objectivo do absurdo, ele afigura-se-me mais desesperante do que o trágico” - Eugène Ionesco
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