A FRUSTAÇÃO
Tenho as respostas
A todas as tuas dúvidas.
Só não sei
Quais são as tuas dúvidas.
Tenho a certeza
De corresponder a todos os teus anseios.
Só não sei quais são os teus anseios.
Tenho todas as palavras certas
Para preencher os teus silêncios.
Só não consigo ouvir os teus silêncios.
Tenho as cores todas
Com que se pintam os sonhos.
Só não sei dos teus sonhos que é preciso pintar.
Tenho a paz que amansará
Todas as tuas revoltas.
Só não sei do teu tempo das revoltas.
Tenho os antídotos todos
Para todas as tuas dores.
Só não sei se te queres tratar.
Sei das soluções para as tuas crises.
Só não sei se acreditas que tens crises.
Tenho tudo para ti.
Só não sei se tu existes.
Estou a falar de ti, Povo.
Eu faço parte integrante de ti.
Acredita, de fonte segura,
que ainda não fui atacado pela amnésia,
quase colectiva, que te corrói
e apenas te deixa continuar a não acreditar em mim.
E é pena.
Vou continuar a falar-te e a falar de ti.
Só não sei do prazo da tua surdez artificial.
Restam-me as lágrimas
Que nunca te darei.
Fernando Tavares Marques
10.03.2010. 00:01
8 de Março- Dia da Mulher
Este dia que é de luta
Por mim sentido a valer
Não é de quem a refuta
E vive em grande disputa
No tudo p’ra si querer.
É teu, oh!!Mulher querida
Que lutas no dia a dia
Para transformar a vida
Que é bastante enegrecida
Neste mar de hipocrisia.
P’ra melhor compreensão
De quem a Esquerda rejeita
E vive na podridão
Da profunda negação
Mas vota sempre, Direita.
Digo: - a História não se faz
Com quem está por estar aqui
Mas sim, por quem é capaz,
Naquilo que lhe compraz
De dar o melhor de si.
ANTÓNIO COSTA
04.03.2010. 19:43
A Mulher
Mulher
Nas águas frescas do rio
Vamos ter peixes imensos
Que darão o sinal do
Fim do mundo talvez
Porque vão dar cabo da mulher
A mulher que embeleza os campos
A mulher que é o fruto do homem
Oh peixe voador, acaba com a rusga
Porque a mulher é o ouro do homem
Quando ela canta até parece
A viola do fadista bem afinada
Quando ela morrer cortarei
O cabelo dela para livrar-me do pecado
O cabelo da mulher será o cobertor
Do meu caixão, quando outro Artista
Me chamar lá no Céu para me pintar
O seio da mulher será a minha almofada
O olho da mulher abrirá-me o caminho do Céu
A barriga da mulher vai me nascer lá em cima
Quando subir aos Céus
Malangatana, 1960
Comments (0) 03.03.2010. 17:13
Amo-te, porque sim.
Não posso enumerar as razões que me levam a amar-te, que me fazem querer dormir contigo, todas as noites das nossas vidas, que me levam a dedicar-te aquelas pequenas coisinhas a que não dás a menor importância, que me levam a gostar de partilhar os teus momentos, de tristeza, de alegria, de raiva….
Leia Mais 02.03.2010. 20:49
O RIO TEJO

TEJO, COMO TE VEJO
Quem desenhou na paisagem este rio
de margens plenas de primavera...
quem o encaminhou até ao oceano
tal como aqui o vejo...quem lhe deu o denominação: Tejo...
Quem lhe abriu em Ródão as portas deste país
e em manhãs agrestes ao longo do seu percurso
construiu castelos com as muralhas embebidas de musgo...
Ele traz até à ampla foz a sua seiva e a dos seus irmãos menores,
e nela, estrada de doce água,
em musical sossego e sem perda de norte,
cascos flutuantes impelidos pelo vento, vagarosamente,
uniram longas distâncias em tempos de nós já ausentes.
O esplendor da sua água não encobre a poeira do destino
nem a luminosidade das suas margens fulgurantes
onde se cultiva o sustento da nossa existência.
Quando enaltecido, não sufoca as palavras e os cânticos
porque nele, tal como em nós, não habita o esquecimento.
Havemos de o cantar até ao sol-pôr.
Com a sua fecundidade e luz completam-se as palavras e os dias
sem que se anulem as marcas no relógio em que o Sol,
brilhante como ele, assinala o tempo e a vida.
Só ele compreende e preserva os seus velhos segredos,
e, lembrado de ser uma longa espada na terra e no tempo,
não ofende quem o procura
e em todos os sentidos acarinha quem dele se afeiçoa.
O Sol reflecte-se na sua água e as estrelas admiram-no.
O seu estuário foi santuário marítimo e leito acolhedor
das naus que nas portas do infinito procuraram outros mundos.
Ele, sóbrio, feliz e quedo, junto de nós se deixou ficar.
Quantos heróis nele navegaram...
Quantos sacrificados dele se sustentaram...
Nesta margem onde estou deslumbro-me:
- Como é vasto este plano de água
onde ele se junta ao mar.
Mar. 2010 – 1390
Fernando Faria
Olhares sobre o Rio Tejo
Vem de mansinho, calmo e sereno,
Escorre no seu leito verdejante,
Como se fora pequeno,
Mais adiante, revolta-se,
Envolve-se com as suas margens
Galgando-as furiosamente,
Implacável.
Transpõe os seus limites,
Invade casas, ruas, leva à sua frente,
Vidas e bens, gente,
O seu rugido invade tudo à sua volta,
Deixando os corações em sobressalto.
Por onde passa,
Deixa um rasto de dor,
Lama,
Tristeza,
Mágoa.
No dia seguinte, ressurge
Lindo, majestoso,
Inofensivo como um gatinho,
Parece ronronar no seu leito,
E, calmamente segue o seu curso,
Retomando o seu destino,
Permitindo que os que lhe sobreviveram
Se alimentem dele, das suas águas.
Dando vida,
É o Tejo.
Selma Santos
Comments (0) 02.03.2010. 11:41

