Imprensa
O sitio dos “Poetas do Barreiro”
“Se queres boa formação
Com sentimentos e alegria
Nunca vejas televisão
E dedica-te à poesia” MPC
Na tarde de sábado, 19 de Dezembro 2009, levantei-me da frente do televisor e fui até à Cooperativa Cultural Popular Barreirense, assistir ao lançamento do sítio da Cooperativa denominado “Poetas do Barreiro”.http://cooperativacultural.com/poesia/
A sessão estava bem organizada. A homenagem aos poetas que abriram o sítio calou fundo. A escolha teve o seu mérito (poderia haver muitas outras escolhas). Procuraram poetas barreirenses já consagrados (Maria Helena Bota Guerreiro, João Liberal, entre outros) que mediaram com outros mais novos.
Os poemas à medida que eram apresentados em projecção, com um fundo muito bonito (mais um belo trabalho do Zé Encarnação. Parabéns Zé), sempre que o poeta estava presente eram ditos pelo próprio. Assim saboreámos avidamente todo o sentimento, desejo, amor, paixão, esplendor, posto em cada poema.
“Ser poeta é ser mais alto,
É ser maior do que os homens
…
E é amar-te, assim perdidamente…
É seres alma, e sangue, e vida em mim
E dizê-lo cantando a toda a gente!” Florbela Espanca
Pois foi cantando que a Lina Soares (mais o seu lindo grupo) nos encantou com os seus poemas (Parabéns “prima”).
E assim sonhámos acordados, sonhámos em conjunto com os poetas. Sonhámos poesia, e, como dizia o cartaz fomos “Poetando”.
“Aqueles que sonham acordados, têm consciência de mil coisas que escapam aos que apenas sonham adormecidos” Edgar Allan Poe
Agora, sou de opinião que devemos assistir, acordados, sempre que possível (mesmo sempre que impossível) a estas actividades culturais.
“o impossível pode sê-lo apenas por agora” Pearl S. Buck, mas esse “por agora” seja apenas “estas actividades culturais”.
Gostaria que quem lesse estas palavras entendesse este sonho (os que lá estiveram entenderam), sonho que não é só da minha imaginação. Imaginar é sonhar, dizia Almeida Garrett.
Se não entenderem, perdoem-me as fracas palavras, que escrevo, e com as quais luto contra o esquecimento (de todos, incluindo o meu).
E antes que me esqueça: o Armindo coordenou os trabalhos (e disse poesia sua), a Maria João explicou o sítio “Poetas do Barreiro” (e disse poesia sua).
Após um pequeno intervalo, a avidez de dizer poesia era tanta e tantos os poetas presentes, que depois, já na sala de fora, a poesia correu livre, em liberdade, sentida por todos, liberdade que explodiu em cada um (aquele jovem que declamou que o diga).
“Se te derem liberdade
Tal valor nunca detenhas
Porque essa não é a tua
Mas a que querem que tenhas” Carlos Machado
Os poetas querem a sua própria liberdade para
“Fazer versos
É prender os pensamentos
É libertar os sentimentos
Que nos gritam a alegria
A tristeza, a revolta,
A dúvida, a certeza
…
É o grito
É a liberdade do momento
Das palavras que surgem” … Laura Seixas
Estas foram as palavras que me surgiram para assinalar o acontecimento.
Como não sou poeta (que pena) entrelaço versos de outrem com palavras (soltas, em liberdade) minhas.
Mas,
“À força de tanto ler
Os versos que alguém escreveu
Fico às vezes sem saber
Se aquilo que escrevi é meu” Lenine Sobreiro
Ofereço então estas palavras àqueles que não puderam estar presentes.
Obrigado à C.C.P.B.
Nuno Soares
28.12.2009. 20:46

