VELHO BARCO
Velho barco,
canastra no rio
cruzando o Tejo.
Entre as margens, sempre
para cada uma seguindo
em vaivém constante.
Velho barco
em navegar incessante...
até quando... até quando...
...............
Quem em ti se transportou,
do humilde ao sem carácter
não conseguiste perceber,
nunca ninguém te contou
e tu não os pudeste ver.
Porém, eu posso dizer-te:
- Foram trabalhadores
que na vida labutaram,
estudantes, doutores
e mulheres de favores;
todos no Tejo navegaram.
Já não te vejo
atravessar o Tejo.
Fica a lembrança e a saudade
desse povo tão autêntico,
aquele que transportaste,
em dignidade a ti idêntico.
Agora
estás parado, só, abandonado
e amarrado a outro cais,
transformado em barco da saudade.
Esquecido,
tanto quanto,
aqueles que transportaste.
Jan. 2001-0184
Fernando Faria
20.01.2010. 15:29
